- JUNO -
Juno (Elle Page) é uma
adolescente de 16 anos que engravida de um
tipo nerd,
viciado em Tic-Tac laranja e que dorme numa
cama em
formato de carro. Descolada, a garota
resolve –
depois de saber que o pequeno feto possui
“unhas” –
manter a gravidez até o fim e doar o bebê a
um casal
carente por cocô/ mamadeira/choro.
Moderninho, irônico e crítico o roteiro da
ex-stripper Diablo Cody se tornou uma
sensação nos
EUA e está indicado a quatro Oscar,
incluindo as
disputadas estatuetas de melhor filme,
diretor,
atriz e roteiro original (Aposto apenas na
última
categoria). Ou seja, a cereja do bolo/Oscar.
Difícil
crer que Elle Page (Menina má.com) passará
por cima
de Cate Blanchett (Elizabeth – A Era do
Ouro) ou da
incontestável trabalho de Marion Cottilard
(Piaf –
Uma Hino ao Amor), mas a garota tem talento
seu
semblante transpassa fragilidade, ironia e
maturidade e confere uma autenticidade a
personagem
que a torna cativante no primeiro momento.
O filme de Jason Reitman ( Obrigado por
Fumar) não
tem o sadismo e a crueza dos filmes de Todd
Solondz
(Felicidade) e alterna um certo sarcasmo ao
lidar
com o assunto com facilidades pops. Seja
pelo
descolado desenho no inicio, pela trilha
sonora
alternativa, a música eu une Juno ao
(futuro) pai de
seu filho, ou a inocência da procura do
primeiro
amor.
Se o filme fosse mais pessimista ao retratar
a
adolescência, com certeza Juno poderia ser
amiga de
uma das irmãs do filme “As Virgens Suicidas”
de
Sofia Coppola. Por vezes tive a sensação que
o
roteiro suaviza para o público o drama da
protagonista com uma história “fofa” de uma
garota
“simpática” num mundo generoso e agregador.
Juno conta com o apoio do pai e a madrasta,
possui
uma amiga descerebrada e acha um casal rico
disposto
a pagar pelo bebê. Ou seja, o único conflito
em si é
o fato de uma garota de 16 anos querer doar
seu
filho que mal a nisso?
É justamente porque vivemos numa sociedade
hipócrita
e machista -é não digo apenas da Americana -
que
Juno tem tudo para se tornar um bom programa
instrutivo para que os pais vejam com os
filhos,
assim como a mídia vende o brasileiro "Meu
nome não
é Jhonny".
O diálogo mais provocativo cabe a madrasta
que
justifica o fato dos adolescentes iniciarem a
vida
cedo por se sentirem entediados. Será este
motivo
que leva Juno a transar ou a garota está
realmente
apaixonada? O que significa a ela ser
sexualmente
ativa? E o que significa para nós?
Eu confesso: esperava mais. E embora a
justificativa
para o questionamento de Juno sobre a pessoa
"ideal"
ser plausível, o final não me convence.
Nas mãos de Solondz - por exemplo - Juno
teria um
outro final. Talvez menos útopico. Não é
provocativo
e questionador como "Aos Treze" e nem
melancólico
como as virgens de Sofia.
Juno alia entretenimento pop com simulacros
de um
conflito. É mais "bonitinho" que a
realidade.
Confira.
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